Deste que a religião surgiu há milhares de anos como um sistema de crenças para “interligar o homem ao sagrado”, que a raça humana vem sendo flagelada, distorcida e limitada em seu objetivo máximo: o da evolução e desenvolvimento humano pleno. A idéia da religião sempre foi benéfica àqueles que sempre desejaram se perpetuar, através do medo, da violência e da tirania, sempre justificada, por um “deus”, que aqui na Terra estava personificado seja em um Rei, ou em um pastor evangélicos semi-analfabeto. Temos a consciência do que o poder “divino” nas mãos dos homens causou. Basta somente cavarmos um buraco em qualquer ponto da América do Sul para se fazer jorrar um grande e abrupto jato de sangue, justificada por quem? A religião é claro, nesse caso em particular, a cristã.
Afinal, em se tratando de religião quem mais levou almas para o “inferno” senão a Igreja Católica? A questão aqui, que destaco agora, já não mais uma específica religião, mas todas. Todas as religiões no mundo lançaram o ser humano em uma grande e frenética caçada a nos mesmos, de forma direta e indireta, afinal o que dizer dos carros-bombas palestinos e mísseis israelenses que ceifam milhares de vidas anualmente?
Da primeira tribo aniquilada por sua “crença” em um pedaço de madeira até os atuais crentes doutrinados pelos princípios capitalistas, a religião somente enfraqueceu o homem, reduzindo-o a uma criatura abominável, infeliz, medrosa e apática frente aos seus problemas íntimos em decorrência das questões existências. Pois, o Deus que estava entre nós, circulando harmoniosamente, tornou-se um asno, pronto carregar os nossos fardos e problemas. Estes cada vez mais pesados e prontamente encaminhados através dos distintos e complexos rituais religiosos que criados por nós, seres humanos, nasceram e morreram até chegar aos dias atuais, ou será que alguém ainda venera Zeus, Hermes e Afrodite?
Não existe religião melhor ou pior que a outra, aqueles que crêem nesse maniqueísmo ou dormem na frágil cama da inocência, ou, propositalmente, multiplicam mais uma mentira, pois, todas as religiões, sejam elas monoteístas ou politeístas, têm como únicos e elementares desejos, a dominação, a subjugação mental, física, e principalmente, espiritual de que a segue, a corrupção, e por fim, mas não menos importante, o lucro. Existente alguma inverdade nessa generalização?
A questão aqui, não é o que a Igreja Universal fez. Todos nós sabemos o que a Igreja Universal faz, todos nós! Ela não a pior, nem a mais obscura; ela é apenas uma máquina de ganhar dinheiro, um gigantesco caça níqueis. Ou contrário de algumas outras religiões, ela está muito bem estruturada, possui políticos representando-a nas distintas instancias do poder, detém o controle dos meios de comunicações e, influencia da maneira que bem entender o mundo. Sim, o mundo! Influencia a tal ponto que eliminar as suas correntes é o seu maior trunfo. Trunfo este que já foi utilizado com a mão do Cristianismo, do Islamismo, do Judaísmo e de outros “ismos” religiosos mais.
Esse é apenas um pequeníssimo aspecto da questão religiosa. A religião, por outro lado, pode vir a ser um grande recurso de resistência, força e organização, substantivos cruciais para a permanência e não aniquilamento das religiões de matrizes africanas no decorrer do processo de formação do nosso País. Como não agradecer e elevar os nomes de homens e mulheres que enfrentaram inúmeras atrocidades para louvar os seus deuses? Mas, isso torna alguma religião de matriz africana diferente das demais? Claro que não. Pois a base de todas as religiões é a mesma: A separação do homem da divindade, a difícil compreensão de códigos ritualísticos, o exasperado direcionamento de sua “energia vital” a uma divindade para conquista de uma benesse qualquer, ou simplesmente, a eliminação do um concorrente ou desafeto, deixando de lado a capacidade humana de enfrentar e encarar as suas vicissitudes de sua condição. Ou seja, cabe a divindade utilizar a sua “energia”, ou átma, para decidir o destino de alguém. Pobres mortais! Estamos fritos!
Enfim, gostaria apenas de salientar que não haverá paz, união, afeto, justiça e amor em um mundo onde a religião sobrepõe o próprio Deus, o próprio Cosmos, ou o próprio Nada. Por outro, já não mais são justificáveis os argumentos que a religião é fruto da ignorância do homem, não, não, não concordo mais com isso! Intelectuais, literatos e outros têm a religião tão presente em suas vidas, na tentativa de um “escambo” com a “divindade”, que gradualmente ao aproximar-se do final de suas respectivas vidas, assistem com tanta violência, sacrifícios sanguinolentos, orações vãs e dízimos suspeitos, distanciarem-se completamente da divindade que habita em cada um deles; lançando aos céus, sob os pilares de suas consciências pesadas, as mesmas súplicas de seus ancestrais.
Aqui que vos fala é alguém que já flertou por algumas das religiões, que aqui por mim foram esmiuçadas muito brevemente. Tive sorte, pois acordei na hora certa, no momento exato que vi que estava sendo lentamente destruído por elas. E sobrevivi para contar essa estória.
Sejamos religiosos sim, mas sem religiões, sem pastores, sem sacerdotes, sem qualquer tipo de intermediário ou “negociante” que se propunha a "comunicar-se” com o “divino”. Assim, somente dessa maneira serão “extintos os egoísmos, a xenofobia, as exclusões e a produção de mentiras”, libertando-nos do medo de que a qualquer momento possa vir eclodir uma Guerra nada Santa.